CDHU conclui entrega de moradias no Vila Rica e anuncia reforma de residências no Otto Ude em Lorena

Evento distribui chaves da casa própria para as últimas 58 famílias após anos de espera; linha branca deve ser entregue até o fim de semana

Evento de entrega de casas do CDHU no Vila Rica, com participação de Ballerini e secretário estadual de Habitação (Foto: Rafaela Lourenço)

Após oito anos do início das obras, Lorena concluiu a entrega das casas populares da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano) no Vila Rica. Um investimento de R$ 7,8 milhões, que consumou o benefício a mais 58 famílias que viviam em uma APP (Área de Preservação Permanente), às margens do Rio Mandi. Os eletrodomésticos devem ser entregues até o final desta semana.

Para quem perdeu tudo com a força das águas, a solenidade, que contou com a presença do prefeito Sylvio Ballerini (PSDB), vereadores e o secretário executivo de Habitação do Estado, Fernando Marangoni, foi além da conclusão de uma obra, ofereceu esperança aos que viviam em uma área de risco, no bairro da Cruz. A dona de Casa, Margarida de Amorim, de 58 anos que há seis morava com a família na casa de sua mãe, após perder todos os móveis com um alagamento, se emocionou ao receber a chave da casa própria. “Eu vinha esperando né, contando com a graça de Deus e agora só posso dizer que é alegria e bênçãos de Deus mesmo. Consegui ter o meu lar de volta, minhas crianças junto de mim. Não tenho como expressar isso!”, frisou ao comentar que os netos devem morar com ela o esposo.

As obras tiveram início em 2014, com o foco de atender um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre Prefeitura e Ministério Público. Segundo o gerente regional da Companhia, Francisco Assis, o Tchesco, construtoras paralisaram e faliram durante os trabalhos, dificultando o término do conjunto habitacional com oitenta residências. “Você vê que é um conjunto que está dentro de um bairro consolidado. Demorou? Demorou! Poderia ser mais rápido, poderia, só que hoje dependemos das construtoras e nem todas cumprem os cronogramas, conseguem concluir as obras”.

Mesmo com a demora para a entrega, o sentimento compartilhado no evento realizado na rua Uruguai era o de realização e alívio. Como para a dona de casa, Irani Aparecida Alves de 53 anos, que morava na zona rural, passou dificuldades com o esposo após ele perder o emprego e juntos, viram como saída uma moradia à beira do Mandi. Ilusão. Irani e sua família também perderam tudo com a cheia em fevereiro. “Como a renda não dava pra comprar um lugar assim né adequado, nós tivemos que comprar lá mesmo. Como o lugar lá não pode, é beira de rio, área de risco, a gente agradece a Deus por ter agora pra onde ir”, salientou Irani, grata por receber uma casa própria e segura, longe dos alagamentos.

Família de Margarida foi uma das contempladas com moradias do CDHU após longa espera (Foto: Rafaela Lourenço)

Para Ballerini, é uma satisfação fazer parte da nova realidade destas famílias. “Você aparentemente parece estar bem, mas na verdade tem uma porção de dificuldades e essa dificuldade que a maioria da população tem, em função de ter a sua casa, é de pagar um aluguel que vai quase todo o seu salário”. O prefeito destacou as buscas para acelerar a geração de empregos e o início das atividades da Frente de Trabalho, que ainda neste mês deve avançar com as etapas para a contratação de até duzentas pessoas com bolsa auxílio de R$ 500 mais R$ 100 de cesta básica e curso de qualificação profissional.

Além das entregas em Lorena, a agenda de Marangoni registrou a distribuição de escrituras pelo programa Cidade Legal de regularização fundiária em São José do Barreiro, Cachoeira Paulista e Canas. O secretário também anunciou o início dos trabalhos do programa Viver Melhor, que contemplará cinquenta casas de famílias de baixa renda, no loteamento Otto Udde, de Lorena. “Famílias que não moram com dignidade, que a moradia está inadequada. Cobertura, ventilação, fiação exposta, aparelho sanitário, infiltrações, todas essas patologias nas moradias dessas famílias com renda de até três salários mínimos”.

A previsão de início das reformas é de uma semana.

Por Rafaela Lourenço | Jornal Atos