Em meio a racha no partido, MDB confirma candidatura de Tebet à Presidência

Foram 262 votos favoráveis e 9 contrários; apenas dois estados não votaram e vice da chapa segue indefinido

Grande maioria do MDB confirmou apoio e Tebet foi oficializada candidata ao Planalto | Reprodução/Twitter
Grande maioria do MDB confirmou apoio e Tebet foi oficializada candidata ao Planalto | Reprodução/Twitter

A Convenção Partidária do MDB, realizada nesta 4ª feira (27.jul), confirmou o nome da senadora Simone Tebet como candidata à Presidência da República. A votação durou cerca de 5 horas e ocorreu de forma virtual.

Foram 262 votos favoráveis e 9 votos contrários à candidatura de Simone Tebet. Apenas delegados de dois estados não votaram: Alagoas e Paraíba, que juntos somam 19 votos. 

Esta é a primeira vez que Tebet entra na disputa presidencial, sendo uma das candidatas da chamada “terceira via”.

Em seu discurso, Tebet se apresentou como uma alternativa para a polarização, atualmente centrada entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT).

“Só o centro democrático tem a capacidade de pacificar e unir o Brasil”. Nossos alicerces democráticos estão abalados. Estão abalados pela fome, pela miséria, pela desigualdade social, pelo desemprego, mas estão abalados, principalmente por esta polarização, por esse discurso de ódio, do nós contra eles, que está levando o país ao abismo”, afirmou a candidata. 

Para resguardar o sigilo do voto, que foi registrado de forma remota, o presidente do MDB ficou em uma sala separada do local aberto para a imprensa, junto com demais integrantes do partido. E para evitar novos questionamentos na justiça, foi contratada uma empresa para cuidar da segurança no momento da votação. Cada delegado e suplente do partido recebeu um link para fazer o registro do voto.

Na 2ª feira (25.jul), um filiado ao MDB de Alagoas apresentou uma ação junto ao Tribunal Superior Eleitoral para cancelar a convenção do partido, alegando que a votação remota iria violar o sigilo do voto. O presidente do TSE, ministro Edson Fachin, negou o pedido, e decidiu que não há como afirmar que o sigilo do voto será desrespeitado e que nada impede que a questão seja reavaliada caso seja constatada, posteriormente, a “efetiva violação do direito do voto durante a convenção”.

Apesar da confirmação, o MDB vem enfrentando divisões no partido. Na última semana, lideranças da sigla anunciaram apoio ao ex-presidente Lula na corrida eleitoral e tentaram articular o adiamento da data da Convenção para o dia 5 de agosto, último dia permitido pelo calendário eleitoral para a realização das Convenções.

Para conquistar mais apoio na votação, o presidente do MDB, Baleia Rossi, manteve a postura de garantir autonomia aos estados que desejarem fazer palanque para outros candidatos na corrida presidencial. E apesar da divisão no partido, o nome de Tebet também foi aprovado, por unanimidade, na convenção da Federação PSDB-Cidadania. Os dois partidos também se reuniram nesta 4ª, e validaram a coligação com o MDB por unanimidade..

A coligação representa a união de dois ou mais partidos e permite, por exemplo, aumento do tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV e mais recursos do fundo eleitoral. A aliança é permitida apenas para as eleições para presidente, governador, senador e prefeito — e pode ser desfeita ao final do pleito.

O PSDB indicaria o vice de Tebet nesta 4ª, mas as negociações internas continuam, e a definição sobre o nome para compor a chapa deve ocorrer até 6ª feira (29.jul). O partido ainda aposta na indicação do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), mas o nome da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), também aparece como possibilidade.

Em coletiva de imprensa, já como candidata à presidência, ao lado dos presidentes do MDB, PSDB e Cidadania, Simone Tebet defendeu o direito à liberdade de expressão e defendeu as urnas eletrônicas.

“Democracia significa o nosso direito de ir e vir, de garantir a soberania popular através do voto. E aceitarmos o resultado das urnas seja ele qual for”, declarou Tebet.

As convenções representam a última etapa para a confirmação de um candidato e podem ser realizadas até o dia 5 de agosto. Depois disso, o partido tem sinal verde para registrar a candidatura no TSE. O prazo para o registro termina no dia 15 do próximo mês.

Por  Soane Guerreiro | SBT