Os partidos podem fazer mais para combater a violência política 

A violência política no Brasil não é algo recente, mas desde 2013 os discursos de direita e de esquerda, a negação às instituições de poder, a rejeição aos políticos e aos partidos vem ganhando cada vez mais forma e gerando um clima de acirramento em diferentes cidades. 

O assassinato do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, no dia do seu aniversário, em Foz do Iguaçu (PR), foi um episódio fatal que amplia os registros da violência política – seja ela física, psicológica, moral ou financeira – neste ano. Essa é uma lamentável lista de casos que também inclui o da vereadora Dandara Pereira na Câmara de Caçapava (SP), agredida por outro parlamentar; o do ex-deputado estadual por São Paulo, Mamãe Falei, agredido durante viagem à Londrina (PR) e o ato pró-Bolsonaro, em Belo Horizonte (MG), quando manifestantes agridem a imprensa. 

Em meio a essa onda de violência, partidos e políticos emitem notas de repúdio, dão depoimentos à imprensa e cobram agilidade nas investigações e no julgamento dos envolvidos. Ação que se repete a cada novo relato de violência. 

O ato de repudiar está correto, porém na atual escalada de violência e em ano eleitoral, os partidos e políticos devem fazer um gesto maior. Os presidentes nacionais das 32 siglas poderiam assinar um manifesto e colocar os seus institutos ou fundações a serviço do combate à violência política junto aos seus filiados, simpatizantes e cidadãos em geral. 

Trata-se de uma ação conjunta que certamente atingiria os 5.670 municípios brasileiros, de forma a reforçar que em uma democracia os partidos são adversários e não inimigos. Além disso, fortaleceria a afirmação de que a política ocorre por meio do diálogo, propostas e atos civilizados, nunca por meio da violência. 

Por fim, seria um gesto singular no atual momento, pois todos os partidos reúnem as condições necessárias para atuar na linha de frente no combate à violência política. O que falta é uma ação mais efetiva. 

Marcelo Simões Damasceno é mestre em comunicação social, especialista em ciência política contemporânea, pós-graduado em poder legislativo e democracia no Brasil e graduado em jornalista.